Fiscalização encontrou leve alteração no pH da água e aguarda exames laboratoriais para tentar identificar o que provocou a mortandade; empresa foi notificada a apresentar laudos
O aparecimento de peixes mortos nas proximidades de instalações portuárias de Barcarena mobilizou a fiscalização ambiental e deu início a uma investigação para identificar as causas da ocorrência. Até agora, os levantamentos realizados no local não permitem apontar o que provocou a mortandade nem estabelecer relação com as operações desenvolvidas na região.
A ocorrência ganhou repercussão após imagens de peixes mortos nas proximidades de um píer circularem nas redes sociais. Na última quarta-feira (2), técnicos do Departamento de Fiscalização Ambiental (DFA), da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Econômico (Semade), foram até a área do Terminal de Uso Privado (TUP) da UniTapajós para verificar a situação.
Água passou por avaliação no local
Durante a inspeção, os fiscais fizeram medições de diferentes características da água. Foram avaliados pH, temperatura, oxigênio dissolvido, condutividade elétrica e salinidade.
A análise realizada naquele momento apontou somente uma leve alteração no pH. Os demais parâmetros estavam dentro dos níveis considerados normais. Esse resultado, entretanto, não é suficiente para descartar outras hipóteses ou determinar a origem da morte dos peixes.
A investigação deverá avançar a partir de exames mais detalhados. A UniTapajós foi notificada a apresentar laudos de análise da água e exames toxicológicos dos peixes recolhidos, além de um relatório informando quais providências emergenciais foram adotadas após a ocorrência.
Embarcação estava na área
Durante a fiscalização, a administração da UniTapajós informou que os vídeos divulgados nas redes sociais mostram uma área próxima às suas operações. Segundo a empresa, uma embarcação estava atracada no local durante uma operação envolvendo o recebimento de grãos de milho destinados à exportação.
A empresa relatou ainda que realizou buscas e monitoramento em diferentes pontos da região, incluindo áreas próximas às praias do Caripi e de Itupanema e à Vila do Conde. Conforme as informações repassadas aos fiscais, naquele momento a presença de peixes mortos estaria concentrada nas proximidades da área do terminal da Hidrovias do Brasil.
Ainda segundo a UniTapajós, a ocorrência foi comunicada à agência reguladora competente e a Capitania dos Portos foi acionada com pedido de retenção preventiva da embarcação enquanto as circunstâncias são esclarecidas.
A empresa também informou que comunicaria oficialmente o episódio à Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas), órgão responsável pelo licenciamento ambiental.
Novos exames devem ajudar na investigação
Uma análise mais ampla da água, envolvendo cerca de 20 parâmetros, estava programada para quinta-feira (3). A expectativa é que os resultados laboratoriais, juntamente com a análise toxicológica dos peixes e demais documentos solicitados, forneçam elementos para esclarecer a ocorrência.
Até o momento, não há comprovação de que a morte dos peixes tenha sido provocada pela embarcação ou pelas atividades portuárias desenvolvidas na área.
A Semade mantém o acompanhamento do caso e aguarda a conclusão dos exames. A partir dos resultados e das demais informações técnicas coletadas durante a investigação, poderão ser definidas eventuais medidas ambientais e administrativas.

