FIEPA alerta para impactos econômicos no Estado diante da decisão norte-americana de elevar em 50% as taxas de importação de produtos brasileiros
A recente decisão do governo dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 50% sobre a importação de produtos brasileiros acendeu um alerta no setor industrial do Pará. A Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) manifestou preocupação com os possíveis impactos da medida, que pode afetar diretamente a economia paraense, especialmente em áreas com forte relação comercial com o mercado norte-americano.
Segundo a FIEPA, a medida cria incertezas relevantes para o ambiente econômico do Estado, que ocupa posição estratégica nas exportações e importações do país. Somente entre janeiro e junho deste ano, o Pará importou dos Estados Unidos o equivalente a US$ 466 milhões, o que representa 36% de tudo que o Estado adquiriu do exterior no período — um crescimento de 62,36% em relação ao mesmo semestre de 2024.
Os principais produtos importados dos EUA pelo Pará incluem soda cáustica, gás natural liquefeito, veículos pesados para transporte de cargas e coque de petróleo calcinado, todos insumos essenciais para a atividade industrial local. Por outro lado, as exportações para o mercado americano somaram US$ 569 milhões, ou 5,2% da balança comercial paraense, com destaque para alumina calcinada, ferro bruto e alumínio não ligado.
Atualmente, o Pará é o 8º estado brasileiro que mais exporta para os Estados Unidos e o 12º que mais importa, demonstrando a relevância dessa relação comercial para a geração de empregos e manutenção da atividade produtiva no Estado. Cidades como Barcarena, Marabá, Breu Branco, Castanhal e Redenção têm forte presença nesse fluxo comercial.
A FIEPA reforçou a necessidade de uma articulação diplomática entre o Brasil e os EUA, em alinhamento com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), para reverter a decisão e preservar as cadeias produtivas bilaterais. “Não há fundamento econômico que justifique uma medida tão severa. O diálogo deve ser prioridade para mitigar impactos, manter a segurança jurídica dos negócios e proteger empregos e investimentos no Pará”, aponta a entidade.
A federação também defende que decisões com potencial de afetar profundamente setores produtivos devem ser precedidas de negociações diplomáticas amplas. O objetivo é preservar uma parceria histórica e estratégica entre os dois países, evitando danos ao desenvolvimento industrial nacional e regional.
Fonte: Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA)




