Falta de preparo em entrevistas, currículos e presença digital reforça a importância da qualificação profissional e das experiências práticas para ingressar no mercado.
Conquistar o primeiro emprego ainda é uma realidade distante para grande parte da juventude no Pará. Um levantamento do DIEESE aponta que quase metade dos jovens entre 15 e 29 anos no estado está fora do mercado de trabalho, revelando um cenário que exige mais do que abertura de vagas: requer formação, orientação e preparo para os processos seletivos.
Especialistas destacam que o obstáculo vai além da falta de oportunidades. Segundo Ana Paula Rodrigues, da área de Carreiras da Faci Wyden, muitos estudantes não têm experiência com entrevistas ou elaboração de currículos. “O maior desafio é preparar o jovem para que ele chegue mais seguro e confiante nas etapas de seleção”, afirma.
Essa lacuna tem impulsionado ações voltadas à empregabilidade, como feiras e programas de estágio que vêm ganhando força em Belém. Esses eventos se tornaram importantes espaços de conexão entre empresas e estudantes, promovendo vivências práticas e o desenvolvimento de habilidades fundamentais para o mundo do trabalho.
Para Andressa Cardoso, aluna de Enfermagem, participar de atividades extracurriculares foi essencial para o crescimento pessoal e profissional. “Aprendi a lidar melhor com o público e a me expressar com segurança. Antes eu era retraída, mas com a prática ganhei confiança”, conta.
O estágio também surge como um divisor de águas na formação. Yorrana Larissa, acadêmica de Direito, relata que cada experiência ajudou a moldar seu perfil profissional. “Meu primeiro estágio foi voluntário e me deu a oportunidade de vivenciar o ambiente jurídico e participar de audiências. Foi um aprendizado transformador logo no início da carreira”, destaca.
Além das vivências, a orientação profissional tem papel estratégico. Para Bruna Oliveira, coordenadora da Escola Técnica Proativa, o acompanhamento personalizado faz a diferença. “Encaminhamos, em média, 50 jovens por mês para vagas de estágio e de jovem aprendiz. Nosso objetivo é guiá-los desde a inscrição até a efetivação”, explica.
As instituições de ensino têm se consolidado como pontes entre a formação acadêmica e o mercado, oferecendo oficinas, palestras e simulações de entrevistas. Essas iniciativas ajudam o aluno a construir sua imagem profissional, desenvolver autoconfiança e ampliar as chances de inserção.
Outro ponto essencial é a presença digital. Embora os jovens estejam constantemente conectados, muitos ainda resistem ao uso do LinkedIn — uma ferramenta vista pelos recrutadores como decisiva. “Hoje as empresas buscam conhecer o diferencial do candidato. O LinkedIn mostra cursos, projetos e experiências que não cabem no currículo tradicional”, observa Ana Paula.
Para os especialistas, a preparação ideal combina autoconhecimento, pesquisa sobre a empresa e apresentação pessoal adequada. Somado a isso, o uso consciente das redes profissionais pode abrir portas e transformar o desafio do primeiro emprego em um passo concreto para o futuro.
Fotos: Divulgação/Agência Eko






