Espaço no Complexo Porto Futuro reúne tecnologia, produção e ciência para impulsionar negócios com a floresta em pé
O Pará inaugurou o Parque de Bioeconomia e Inovação da Amazônia, iniciativa que transforma a riqueza natural da região em oportunidade econômica, social e científica, preservando a floresta e valorizando o protagonismo de comunidades tradicionais. O espaço é apontado como o maior centro de bioeconomia da América Latina e o único parque tecnológico do mundo dedicado integralmente ao uso sustentável dos recursos da Amazônia.
Instalado nos armazéns 5 e 6 do Complexo Porto Futuro, em Belém, o parque conecta empreendedores, pesquisadores, comunidades e investidores em um mesmo ambiente voltado à geração de conhecimento, ao desenvolvimento de produtos e ao fortalecimento de negócios amazônicos.
A secretária adjunta de Bioeconomia da Semas, Camille Bemerguy, define o equipamento como um marco para a transição econômica verde no Estado. “A verdadeira riqueza da Amazônia está na floresta viva. Aqui mostramos que é possível gerar renda, tecnologia e oportunidades mantendo o território preservado e garantindo que as comunidades amazônicas liderem essa transformação”, afirmou.
Tecnologia e tradição integradas
O parque foi concebido para aproximar saberes ancestrais e inovação científica. Para o chef e empreendedor Leonardo Modesto, da startup Maniua, a nova estrutura funciona como ponte entre esses dois mundos. “É uma nova fase para quem vive e produz na Amazônia. Conectamos nossas raízes a equipamentos modernos para levar nossa cultura e nossos produtos ao mundo”, disse.
Estrutura voltada a negócios e P&D
O Armazém 5 concentra o Centro de Negócios, o Centro de Sociobioeconomia e o Centro de Gastronomia Social. No local funcionam coworking, incubadoras, aceleradoras, fundos de investimento, salas fixas e de reunião, espaços para eventos, showroom e um Balcão Único de serviços especializados que orienta empreendedores e conecta soluções tecnológicas e produtivas.
No Armazém 6 opera o Laboratório-Fábrica, parte do Centro de Inovação. Trata-se de uma planta-piloto equipada para produção experimental de alimentos e para atividades de pesquisa e desenvolvimento em cosméticos e químicos finos a partir de insumos florestais. O espaço abriga ainda a Gestão de P&D, que articula a rede de laboratórios parceiros e aproxima a pesquisa do setor produtivo, além de um Showroom de Inovação com tecnologias verdes e novos produtos da bioeconomia.
A empreendedora Juliana Monteiro, da Jucarepa, destaca o efeito prático da iniciativa para quem atua com insumos da sociobiodiversidade. “Antes precisávamos buscar apoio tecnológico fora do Estado. Agora temos equipamentos e suporte aqui, agregando valor à produção e fortalecendo quem vive da floresta”, afirmou.
Setor em expansão
Os indicadores mostram a aceleração do ecossistema. Em 2019, o Pará contabilizava cerca de 80 negócios ligados à bioeconomia. Em 2025, são aproximadamente 300 iniciativas ativas, resultado que reforça a vocação amazônica para inovar com conservação e gerar renda com responsabilidade socioambiental.
Fotos: Agência Pará








