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INDÚSTRIA DO PARÁ SENTE IMPACTO DO MERCADO INTERNACIONAL E MANTÉM EXPECTATIVA DE RECUPERAÇÃO EM 2025

Queda no preço do minério de ferro influencia resultado do segundo trimestre, enquanto construção civil registra crescimento impulsionado por obras e investimentos no Estado

A indústria do Pará atravessou o segundo trimestre de 2025 sob forte influência do cenário internacional, especialmente por causa das oscilações no preço do minério de ferro, principal produto da pauta mineral do Estado. Entre abril e junho, o comportamento do setor esteve diretamente ligado às variações do mercado externo, que continuam sendo determinantes para a economia paraense, altamente dependente da exportação de commodities minerais.

 

Dados analisados pelo Observatório da Indústria, vinculado à Federação das Indústrias do Estado do Pará, com base em informações da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas, indicam que o preço médio do minério de ferro ficou em US$ 99,1 no período, o menor patamar registrado desde 2024. Mesmo com a manutenção de volumes elevados de produção e exportação, a redução na cotação internacional impactou diretamente o valor financeiro gerado pela atividade mineral, refletindo nos números do Produto Interno Bruto industrial.

 

A indústria extrativa, que concentra a mineração, continua sendo o principal pilar da atividade industrial paraense. No segundo trimestre, o segmento respondeu por aproximadamente R$ 8,28 milhões em valor agregado, consolidando sua posição de maior peso na composição do PIB industrial do Estado. Isso significa que qualquer oscilação nos preços internacionais do minério se traduz quase automaticamente em impacto nos indicadores econômicos locais, ainda que a capacidade produtiva permaneça estável.

 

Especialistas destacam que o resultado observado no trimestre não indica enfraquecimento estrutural da indústria, mas sim um ajuste conjuntural provocado pelo mercado global. Em termos práticos, o Pará segue produzindo em ritmo consistente, porém o valor recebido pelas exportações diminuiu devido à queda nas cotações internacionais. Esse movimento é comum em economias com forte presença mineral, nas quais o desempenho financeiro depende mais do preço das commodities do que do volume extraído.

 

Enquanto a mineração enfrentou esse cenário de preços mais baixos, a construção civil apresentou desempenho bastante positivo. O setor cresceu 19,57% no segundo trimestre, impulsionado principalmente por obras de infraestrutura e pelos investimentos voltados à preparação do Estado para sediar a COP30, que acontecerá em Belém. O avanço do segmento demonstra dinamismo na economia local, além de gerar empregos e movimentar diversas cadeias produtivas ligadas a serviços e materiais de construção.

 

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o quadro geral é mais favorável. A indústria contribuiu para um crescimento de 5,72% no PIB do Pará, reforçando que, apesar das oscilações trimestrais, o setor mantém trajetória consistente ao longo do ano. A diferença entre o resultado anual e o desempenho isolado do trimestre evidencia o peso que a variação de preços exerce sobre a análise econômica.

 

Para o segundo semestre, a expectativa é de recuperação gradual no valor do minério de ferro, com projeções indicando melhora nas cotações nos próximos meses. Caso esse cenário se confirme, a tendência é que o setor industrial recupere parte do fôlego e encerre 2025 em um ambiente mais equilibrado. Mesmo diante das variações do mercado internacional, a base produtiva da indústria paraense segue considerada sólida, embora continue sensível aos movimentos das commodities no cenário global.

 

Foto: Divulgação
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