Crescimento da mineração, avanço do agronegócio e ampliação de mercados impulsionam desempenho histórico do estado no comércio exterior em 2025
O Pará encerrou 2025 com um dos desempenhos mais expressivos de sua história no comércio exterior. No acumulado de janeiro a dezembro, o estado registrou US$ 24,23 bilhões em exportações e US$ 2,74 bilhões em importações, resultando em um superávit comercial de US$ 21,49 bilhões. Os números consolidam o protagonismo paraense no cenário nacional e internacional, impulsionado principalmente pela força do setor mineral e pelo crescimento consistente da agroindústria.
Com esse resultado, o Pará manteve a liderança absoluta na Região Norte, ocupou a terceira posição no ranking nacional de saldo comercial, o quinto lugar em exportações e a 13ª colocação em importações. Também se consolidou como o segundo maior exportador entre os estados da Amazônia Legal.
Mineração segue como principal motor
O setor mineral permaneceu como o principal pilar da balança comercial estadual em 2025. A alumina calcinada somou US$ 1,89 bilhão em exportações, mantendo estabilidade mesmo diante da volatilidade do mercado internacional. O desempenho reflete a solidez da cadeia produtiva do alumínio no Pará, apoiada por infraestrutura logística integrada e alta capacidade industrial.
Já o minério de ferro, principal item da pauta exportadora, alcançou US$ 11,64 bilhões no acumulado do ano. Apesar das oscilações nos preços globais, o produto seguiu como determinante para o expressivo superávit comercial do estado.
Agroindústria ganha protagonismo
O ano também marcou um avanço significativo da agroindústria paraense no mercado internacional. A carne bovina passou a integrar o grupo de produtos tradicionais da balança comercial, com US$ 1,22 bilhão em vendas externas. A China foi o principal destino, impulsionada pela retomada industrial e pelo aumento do consumo interno.
A soja se consolidou como um dos principais produtos não tradicionais, somando US$ 1,61 bilhão em exportações. O crescimento foi impulsionado pela ampliação das áreas produtivas, ganhos de produtividade e demanda firme dos mercados asiáticos.
Outro destaque foi a madeira, que manteve sua relevância ao longo de 2025. As exportações do setor alcançaram US$ 231 milhões, totalizando 269,6 mil toneladas e registrando crescimento de 10,88% em relação ao ano anterior. Os Estados Unidos permaneceram como principal destino.
As exportações de bovinos vivos também apresentaram retomada expressiva, somando US$ 574 milhões, impulsionadas principalmente pela demanda do Iraque e de países do Oriente Médio. O milho, por sua vez, alcançou cerca de US$ 179 milhões em vendas externas, ampliando sua presença em mercados emergentes, sobretudo na África Ocidental.
Ampliação de mercados fortalece a economia
Além do crescimento em valor, 2025 foi marcado por uma diversificação geográfica mais consistente das exportações paraenses. A Ásia manteve-se como principal destino, absorvendo US$ 14,94 bilhões, o equivalente a 61,67% das vendas externas. China, Malásia e Japão se destacaram como os principais parceiros, impulsionados pela demanda por minério de ferro, cobre e soja.
A União Europeia consolidou-se como o segundo maior mercado, com US$ 4 bilhões em compras, principalmente de alumina, cobre e pimenta-do-reino. A América do Norte também registrou avanço, com os Estados Unidos alcançando US$ 1,03 bilhão em importações de produtos paraenses. África e Oceania ampliaram sua participação, especialmente com grãos e bovinos vivos.
Resiliência frente às instabilidades globais
Mesmo diante das instabilidades no cenário internacional e das barreiras comerciais impostas pelo chamado “tarifaço” do governo Trump, o Pará conseguiu preservar sua relevância no comércio bilateral com os Estados Unidos. Produtos como alumínio, cobre, madeira e insumos agropecuários mantiveram papel estratégico para a economia norte-americana.
Segundo a Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará (AIMEX), o impacto das tarifas foi limitado para o setor madeireiro, que manteve os Estados Unidos como principal comprador, seguidos pela União Europeia. O cenário reforça a estabilidade da demanda internacional por madeira tropical.
Outro avanço importante foi a retirada da taxação sobre o açaí, em novembro, medida que amplia o potencial de inserção do produto no mercado norte-americano e fortalece a diversificação da pauta exportadora.
Consolidação e novos desafios
De acordo com análises do Observatório da Indústria da FIEPA, os resultados de 2025 confirmam um período de consolidação internacional do Pará. A gerente do Centro Internacional de Negócios da entidade, Cassandra Lobato, avalia que o crescimento das exportações, aliado à ampliação dos mercados, reflete uma evolução consistente da pauta comercial do estado.
“Mesmo em um cenário global marcado por instabilidade, flutuações nas commodities e pressões logísticas, o Pará manteve trajetória de crescimento, expandiu sua base comercial e reforçou sua relevância estratégica. A combinação entre o vigor do setor industrial e o fortalecimento do agronegócio consolidou 2025 como um ano de avanços estruturais, diversificação gradual e ampliação das oportunidades para a economia paraense”, destaca.
O desempenho projeta o estado como um dos principais protagonistas do comércio exterior brasileiro e abre caminho para novos investimentos, inovação e fortalecimento da economia regional.
Foto: Divulgação/Fiepa




