Projeto no Porto de Vila do Conde prevê investimentos de R$ 908,5 milhões e capacidade para movimentar 7 milhões de toneladas de soja e milho por ano; decisão sobre leilão foi novamente adiada pela ANTAQ
Um investimento estimado em R$ 908,5 milhões poderá ampliar a estrutura destinada à movimentação de grãos no Porto de Vila do Conde, em Barcarena. O projeto do terminal VDC29 prevê uma nova área para receber, armazenar e embarcar principalmente soja e milho, com capacidade operacional de aproximadamente 7 milhões de toneladas por ano.
A implantação, no entanto, ainda depende do avanço do processo de arrendamento. A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ) voltou a adiar uma decisão sobre o leilão após novos questionamentos relacionados à demanda de grãos e à capacidade já instalada ou em expansão no complexo portuário.
O novo pedido de vista mantém o processo em análise e deverá permitir uma avaliação mais detalhada sobre as condições atuais do mercado antes da definição sobre o futuro do terminal.
INVESTIMENTO DE R$ 908 MILHÕES
O VDC29 ocupará uma área de 67.448 metros quadrados dentro do Porto de Vila do Conde. O terminal será construído em uma área ainda sem estruturas operacionais permanentes e terá conexões com o sistema rodoviário e com o cais.
O projeto prevê uma ampla infraestrutura para movimentação de cargas, incluindo silos, correias transportadoras, sistema de recepção de caminhões, descarregamento de barcaças e novos píeres.
A capacidade de armazenamento deverá chegar a 252 mil toneladas, enquanto o sistema será dimensionado para movimentar cerca de 7 milhões de toneladas de grãos por ano. O terminal também deverá ter estrutura para receber cargas tanto por rodovia quanto por barcaças e realizar o embarque em navios de longo curso.
CRESCIMENTO DA MOVIMENTAÇÃO DE GRÃOS ENTRA EM DEBATE
A discussão dentro da ANTAQ ocorre justamente por causa das mudanças registradas no mercado portuário desde a elaboração dos estudos do VDC29.
O diretor Alber Vasconcelos levantou dúvidas sobre a necessidade de atualizar as projeções de demanda diante da ampliação da capacidade de outros operadores da região. Entre os pontos mencionados estão novos terminais autorizados e expansões de instalações já existentes para movimentação de granéis.
A preocupação é verificar se essas mudanças alteram as condições econômicas consideradas originalmente para o novo terminal.
O assunto já havia provocado uma decisão da ANTAQ, em agosto, para ouvir o Ministério de Portos e Aeroportos sobre a adequação das premissas utilizadas no projeto à realidade atual, incluindo demanda, interação entre os empreendimentos e utilização da infraestrutura comum do Porto de Vila do Conde.
PORTO DE VILA DO CONDE GANHA AINDA MAIS IMPORTÂNCIA
Caso seja aprovado e levado a leilão, o VDC29 acrescentará uma nova estrutura de grande porte ao complexo portuário de Barcarena, reforçando a participação de Vila do Conde no escoamento da produção agrícola que chega ao Pará.
O projeto prevê movimentação de soja e milho e foi planejado para receber parte das cargas por barcaças, integrando o transporte hidroviário à exportação por navios de longo curso.
A dimensão do investimento também demonstra a importância estratégica atribuída ao Porto de Vila do Conde. Além dos R$ 908,5 milhões previstos, o contrato de arrendamento projetado possui prazo inicial de 25 anos.
O Tribunal de Contas da União (TCU) já autorizou o avanço do processo de desestatização do terminal em 2025. Agora, a continuidade do projeto depende das deliberações da ANTAQ e das etapas necessárias para a realização do leilão.
Com a nova análise, a discussão deixa de ser apenas sobre a construção de mais um terminal e passa também pela capacidade futura do complexo portuário de Barcarena para acompanhar o crescimento da movimentação de grãos e receber novos investimentos em infraestrutura.
