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HOMEOPATIA GANHA ESPAÇO NO TRATAMENTO COMPLEMENTAR DE CRIANÇAS COM TEA E TDAH

HOMEOPATIA GANHA ESPAÇO NO TRATAMENTO COMPLEMENTAR DE CRIANÇAS COM TEA E TDAH

Famílias relatam melhora no sono, concentração e comportamento após inclusão da terapia junto ao tratamento convencional

A busca por tratamentos que proporcionem mais qualidade de vida a crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) tem levado muitas famílias a recorrerem a abordagens complementares. Entre elas, a homeopatia vem despertando interesse por atuar de forma individualizada e auxiliar, principalmente, na redução de efeitos colaterais associados aos medicamentos tradicionais.

O tema vem ganhando espaço nos consultórios e também entre pais que procuram alternativas para melhorar a rotina dos filhos. Foi o caso da funcionária pública Deuliane de Jesus Gomes Pereira, mãe de Gabriel, de 8 anos, diagnosticado com TEA e TDAH. Segundo ela, a introdução da homeopatia ao tratamento multidisciplinar trouxe mudanças significativas no comportamento e bem-estar da criança.

“Ele passou a dormir melhor, ficou mais concentrado nas atividades da escola e começou a interagir mais com as pessoas. A diferença foi muito perceptível dentro de casa”, contou.

Gabriel segue em acompanhamento com pediatra, neurologista e fonoaudiólogo, conciliando terapias convencionais e complementares. Para a família, a combinação dos tratamentos ajudou não apenas na rotina da criança, mas também no equilíbrio familiar.

Tratamento individualizado

De acordo com a pediatra e homeopata Lianne Negrão, a principal característica da homeopatia é enxergar cada paciente de forma única, considerando aspectos físicos, emocionais e comportamentais antes de definir a abordagem terapêutica complementar.

“Ainda que dois pacientes tenham o mesmo diagnóstico, eles podem apresentar sintomas completamente diferentes. Isso influencia diretamente na condução do tratamento”, explicou a especialista, que atua como preceptora da Afya Clínica Acadêmica de Abaetetuba.

Segundo a médica, alguns pacientes apresentam irritabilidade intensa, dificuldades respiratórias e distúrbios do sono, enquanto outros convivem com alergias, alterações intestinais ou comportamento mais tranquilo. Por isso, a avaliação individualizada é considerada essencial.

Relatos de melhora na qualidade de vida

Na prática clínica, profissionais relatam avanços em áreas como sono, cognição, alimentação e bem-estar geral. Em alguns casos, também há registros de diminuição de episódios de autoagressão, melhora do equilíbrio intestinal e redução de infecções recorrentes.

Esses fatores, segundo especialistas, podem contribuir diretamente para uma melhor adaptação às terapias comportamentais e ao desenvolvimento infantil.

Apesar disso, a médica reforça que a homeopatia não substitui o tratamento convencional nem o acompanhamento multidisciplinar já indicado para TEA e TDAH. O método deve ser utilizado de forma complementar e sempre com orientação profissional.

Debate científico continua

Embora a homeopatia seja reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina, ainda existem discussões científicas sobre sua eficácia em casos de TEA e TDAH. Pesquisas continuam sendo realizadas para avaliar os possíveis benefícios da prática como terapia complementar associada aos tratamentos tradicionais.

Para especialistas, o mais importante é que famílias tenham acesso à informação de forma responsável e segura, permitindo escolhas conscientes sobre os caminhos terapêuticos disponíveis.

“Quando utilizada de maneira integrada ao tratamento convencional, a homeopatia pode contribuir para o bem-estar e para uma melhor qualidade de vida dos pacientes”, destacou Dra. Lianne.

Para Deuliane, o resultado mais importante foi perceber o filho mais tranquilo e participativo no dia a dia. “Hoje vejo ele mais presente, mais calmo. Isso muda tudo dentro de casa”, afirmou.

Com informações da jornalista Alessandra Barreto
Foto: Arquivo pessoal