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CAROÇO DE AÇAÍ VIRA BIOFERTILIZANTE E ABRE NOVAS OPORTUNIDADES DE RENDA NO PARÁ

CAROÇO DE AÇAÍ VIRA BIOFERTILIZANTE E ABRE NOVAS OPORTUNIDADES DE RENDA NO PARÁ

Projetos apoiados pela Codec transformam resíduos do fruto em produtos sustentáveis, com potencial para melhorar a fertilidade do solo, reduzir emissões e movimentar a economia amazônica.

O caroço de açaí, tradicionalmente descartado após o processamento do fruto, está se tornando uma alternativa para a geração de renda e o desenvolvimento de novos negócios no Pará. Empresas investem na transformação desse resíduo em biochar, um tipo de biocarvão que pode ser utilizado na agricultura e contribuir para a captura de carbono.

A iniciativa conta com o apoio da Companhia de Desenvolvimento Econômico do Pará (Codec), que atua na atração de investimentos e no incentivo a empreendimentos sustentáveis. Entre as empresas interessadas estão Moss Earth, Amazon BioFert e INOVI Tecnologia, que apresentaram propostas de aproveitamento industrial dos caroços.

O potencial econômico é significativo. Segundo a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), o Pará lidera a produção brasileira de açaí, com aproximadamente 1,7 milhão de toneladas anuais. O grande volume de resíduos gerados pela cadeia produtiva representa uma oportunidade para o desenvolvimento de tecnologias voltadas à economia circular.

TECNOLOGIA E NOVOS INVESTIMENTOS

O biochar é produzido por meio do aquecimento controlado de materiais orgânicos em ambientes com pouco oxigênio. Aplicado ao solo, pode melhorar suas propriedades, favorecer a retenção de nutrientes e armazenar carbono por períodos prolongados.

Além dos benefícios agrícolas e ambientais, os projetos estudam a possibilidade de comercialização de créditos de carbono, desde que atendidos os critérios de certificação e comprovação da redução ou remoção de emissões.

A Amazon BioFert trabalha no desenvolvimento de soluções para recuperar a qualidade dos solos e ampliar a produtividade agrícola. Já a INOVI Tecnologia estuda iniciativas de descarbonização em Abaetetuba, no Baixo Tocantins, associando o aproveitamento de resíduos à produção de energia e alimentos.

Outra proposta envolve a Moss Earth, que pretende instalar um empreendimento no Distrito Industrial de Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém, ampliando as possibilidades de industrialização sustentável no estado.

ECONOMIA SUSTENTÁVEL

Para a Codec, o aproveitamento integral do açaí representa uma oportunidade de diversificar a economia paraense, atrair investimentos e fortalecer cadeias produtivas regionais.

O presidente da companhia, Lutfala Bitar, destaca que projetos dessa natureza podem ampliar a geração de emprego e renda, valorizando a biodiversidade amazônica e criando novas oportunidades para empresas e comunidades tradicionais.

Com a transformação dos caroços em insumos agrícolas, o Pará busca agregar valor a um dos seus produtos mais tradicionais, reduzindo o desperdício e abrindo espaço para uma indústria que alia inovação, sustentabilidade e desenvolvimento econômico.

Foto: Divulgação/Hydro