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PARÁ DEVE RECEBER MAIS DE R$ 73 BILHÕES EM INVESTIMENTOS MINERÁRIOS ATÉ 2030

PARÁ DEVE RECEBER MAIS DE R$ 73 BILHÕES EM INVESTIMENTOS MINERÁRIOS ATÉ 2030

Estimativa aponta que estado concentrará cerca de 19% dos aportes previstos para o setor mineral brasileiro nos próximos cinco anos

O Pará deve consolidar ainda mais sua posição como um dos principais polos da mineração nacional nos próximos anos. De acordo com projeções do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), o estado poderá receber aproximadamente US$ 14,66 bilhões em investimentos entre 2026 e 2030, o equivalente a cerca de R$ 73,3 bilhões. O volume representa pouco mais de 19% de todos os recursos previstos para o setor mineral no Brasil durante o período.

O desempenho reforça a importância estratégica do Pará para a economia mineral do país. Em 2025, o estado respondeu por mais de um terço da receita nacional da mineração, movimentando R$ 103,1 bilhões de um total de R$ 298,8 bilhões registrados no setor.

Atualmente, o Pará abriga algumas das maiores operações minerárias do mundo, incluindo a Serra dos Carajás, considerada a maior mina de minério de ferro a céu aberto do planeta. Além disso, o estado tem papel fundamental nas exportações brasileiras de minérios, respondendo por mais de um terço dos embarques nacionais nos últimos anos.

Expansão com foco em sustentabilidade

Entre os investimentos anunciados, a Mineração Rio do Norte (MRN) pretende aplicar R$ 900 milhões na construção de uma linha de transmissão que permitirá a utilização de energia limpa em suas operações. A iniciativa integra a estratégia da empresa para reduzir sua pegada de carbono e ampliar a eficiência energética.

A companhia também prevê investimentos de R$ 9 bilhões até 2041 para garantir a continuidade da produção de bauxita, além de recursos já programados para os próximos anos voltados à infraestrutura, segurança operacional e sustentabilidade.

Vale amplia produção de minerais estratégicos

A Vale também mantém planos de expansão no estado. A mineradora pretende dobrar sua produção de cobre até 2035 e ampliar significativamente a produção de níquel, minerais considerados essenciais para a transição energética global.

Os investimentos estão concentrados principalmente na região de Carajás, onde a empresa opera um de seus principais complexos minerários. Paralelamente, a companhia tem ampliado projetos voltados à mineração circular, reaproveitando rejeitos e resíduos para reduzir impactos ambientais e aumentar a eficiência produtiva.

Juruti recebe investimentos em energia e logística

No oeste paraense, a Alcoa desenvolve projetos para tornar suas operações em Juruti mais sustentáveis. Entre as iniciativas está a substituição gradual de geradores movidos a diesel por energia elétrica proveniente de fontes renováveis.

O plano inclui a construção de uma linha de transmissão para conectar a mina e o porto local ao Sistema Interligado Nacional. A expectativa é reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa até o final da década.

A empresa também anunciou investimentos próximos de R$ 1 bilhão em uma frota própria de embarcações destinada ao transporte de bauxita entre o Pará e o Maranhão, reforçando a logística integrada da operação.

Potencial para terras raras

Além do minério de ferro, cobre, níquel e bauxita, o Pará desponta como uma das regiões com potencial para exploração de terras raras, grupo de minerais considerados estratégicos para a indústria tecnológica e para a produção de equipamentos ligados à energia limpa.

Embora o estado ainda enfrente desafios relacionados à infraestrutura necessária para exploração e beneficiamento desses minerais, especialistas apontam perspectivas promissoras para o desenvolvimento futuro dessa cadeia produtiva.

O avanço dos investimentos reforça o papel do Pará como protagonista da mineração brasileira e destaca a importância do setor para a geração de empregos, arrecadação e desenvolvimento econômico regional, ao mesmo tempo em que amplia o debate sobre sustentabilidade e inovação na atividade mineral.

Fonte: Valor Econômico / Foto: Divulgação Vele