Estudo aponta que 54% dos embarques paraenses destinados ao mercado norte-americano podem ser afetados por nova taxação proposta pelo governo dos Estados Unidos
Uma eventual elevação das tarifas de importação sobre produtos brasileiros pelos Estados Unidos poderá gerar reflexos significativos para a indústria paraense. Levantamento da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) indica que cerca de 54% do valor das exportações industriais do estado destinadas ao mercado norte-americano podem ser atingidas pela medida.
A estimativa considera os embarques realizados entre janeiro e abril de 2026 e já leva em conta os produtos que poderão ser beneficiados por exceções previstas na proposta apresentada pelo governo norte-americano, que ainda está em fase de consulta pública e análise antes de uma decisão definitiva.
Indústria de transformação concentra maior exposição
De acordo com o estudo elaborado pelo Observatório da Indústria do Pará e pelo Centro Internacional de Negócios da FIEPA, os impactos tendem a recair principalmente sobre a indústria de transformação, segmento que representa aproximadamente 99% do valor exportado entre os produtos avaliados.
Entre os itens mais suscetíveis aos efeitos da nova tarifa estão o ferro fundido bruto não ligado e o alumínio não ligado em formas brutas. Juntos, esses produtos correspondem a quase metade do montante analisado, reforçando a relevância do mercado norte-americano para determinadas cadeias produtivas do estado.
Apesar das projeções, especialistas destacam que ainda não é possível mensurar com precisão os efeitos econômicos da medida, uma vez que a proposta segue em discussão e pode sofrer alterações.
Diversificação de mercados ganha força
Diante do cenário, a FIEPA reforça a estratégia de ampliar a presença das indústrias paraenses em novos mercados internacionais. Segundo o presidente da entidade, Alex Carvalho, o objetivo é reduzir a dependência de um único parceiro comercial e aumentar a capacidade de reação das empresas frente a mudanças no cenário econômico global.
A federação destaca que esse movimento não surgiu como resposta imediata à possível taxação dos Estados Unidos. Nos últimos anos, o setor industrial paraense vem investindo em ações de internacionalização, incluindo participação em feiras internacionais, missões empresariais e aproximação com compradores de diferentes regiões do mundo.
Recentemente, representantes da indústria paraense participaram de agendas estratégicas em países como Alemanha, Canadá, China, França e Estados Unidos, com foco na abertura de novos mercados, atração de investimentos e fortalecimento de setores considerados estratégicos, entre eles mineração, bioeconomia, alimentos e proteína animal.
Exceções podem reduzir impactos
Embora a proposta represente um desafio para parte da indústria brasileira, a avaliação é de que alguns fatores podem amenizar os efeitos da medida. O relatório apresentado pelas autoridades norte-americanas prevê exceções para 1.690 linhas tarifárias, contemplando matérias-primas consideradas essenciais para a economia dos Estados Unidos e produtos cuja oferta interna é insuficiente.
Outro aspecto observado é a forte integração existente entre cadeias produtivas brasileiras e norte-americanas. Essa relação pode contribuir para a manutenção da demanda por determinados produtos, mesmo diante do aumento dos custos de importação.
A FIEPA ressalta, contudo, que os impactos não serão iguais para todos os setores. Empresas mais dependentes do mercado americano e que não estejam incluídas nas exceções previstas poderão enfrentar maior pressão competitiva, enquanto produtos considerados estratégicos ou de difícil substituição tendem a sofrer efeitos mais moderados.
O cenário reforça a importância da diversificação comercial como estratégia para ampliar a competitividade da indústria paraense e reduzir riscos diante das mudanças no comércio internacional.
