Saúde
BRASIL DEVE AVANÇAR NO COMBATE AO TABAGISMO, MAS ENFRENTARÁ ALTA DA OBESIDADE E DO CONSUMO DE ÁLCOOL ATÉ 2030
Estudo aponta que metas relacionadas ao cigarro e bebidas açucaradas devem ser alcançadas, enquanto indicadores ligados às doenças crônicas seguem em trajetória preocupante O Brasil caminha para atingir importantes metas de…

Estudo aponta que metas relacionadas ao cigarro e bebidas açucaradas devem ser alcançadas, enquanto indicadores ligados às doenças crônicas seguem em trajetória preocupante
O Brasil caminha para atingir importantes metas de saúde pública até 2030, especialmente na redução do tabagismo e do consumo de bebidas adoçadas com açúcar. No entanto, o país deve enfrentar desafios significativos relacionados ao aumento da obesidade, do diabetes, da hipertensão e do consumo abusivo de álcool, segundo um estudo divulgado na revista científica The Lancet Regional Health.
A pesquisa foi desenvolvida por especialistas do Núcleo de Pesquisa em Epidemiologia das Doenças Crônicas da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) em parceria com o Ministério da Saúde. As projeções utilizaram dados de mais de 643 mil brasileiros entrevistados pelo sistema Vigitel, que monitora fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais do país.
Queda histórica do tabagismo
Entre os indicadores analisados, a redução do tabagismo aparece como um dos resultados mais promissores. A estimativa aponta que a proporção de fumantes entre os adultos brasileiros deve cair de 9,8%, registrada em 2019, para 4,7% em 2030. O desempenho não apenas alcançaria a meta nacional, como a superaria com folga.
Outro avanço previsto está relacionado ao consumo regular de bebidas adoçadas com açúcar. A expectativa é de que o índice recue de 15% para apenas 3,2% no período, resultado atribuído a políticas públicas voltadas à conscientização da população, além de medidas regulatórias adotadas nos últimos anos.
Apesar dos números positivos, os pesquisadores alertam para sinais de desaceleração observados nos dados mais recentes, indicando que a manutenção dos avanços dependerá da continuidade das ações de prevenção e controle.
Consumo de álcool preocupa especialistas
Em sentido oposto, o consumo abusivo de álcool deve aumentar ao longo da próxima década. A projeção aponta crescimento de 18,8% para 21,3% da população adulta, contrariando os objetivos estabelecidos pelo Plano de Ações Estratégicas para o Enfrentamento das Doenças Crônicas e Agravos Não Transmissíveis.
Os pesquisadores observam que a adesão limitada a políticas de controle do álcool, aliada a lacunas na regulamentação da publicidade e na definição de preços, contribui para o cenário desfavorável.



